A desagregação dos interesses estudantis veio abrir brechas por onde se infiltrou
uma política de delapidação do direito fundamental à aprendizagem. Acresce a isto a geral falta de esclarecimento reinante entre as massas académicas,
instrumentalizada politicamente como veículo de implementação de medidas
tendentes a elitizar a frequencia do Ensino Superior e - o que é, talvez, pior - reduzir à insignificância a formação superior, mediante a brutal desvalorização (podemos falar de uma deflação) laboral de qualquer grau académico, através de dispositivos como o Processo de Bolonha e o empobrecimento dos cursos (redução do número de anos, das disciplinas...), o que significa a equiparação de um licenciado (ou mesmo detentor de mestrado) a um trabalhador não-especializado/indiferenciado, no que configura um ataque sem precedentes ao respeito pelo investimento pessoal, financeiro, científico e profissional que representa frequentar um curso na Universidade. Nunca pagámos tanto para estudar como hoje. No entanto, nunca, como hoje, ter um curso significou tão pouco.
Neste quadro, torna-se imperativo reclamar um espaço de reflexão e
problematização da situação actual da Universidade Pública. Um espaço que não
renuncie à indispensável vertente reivindicativa e síndica, como forma de
resistência a uma ofensiva que visa descapitalizar a Universidade da sua vocação
crítica. Acreditamos que esse espaço é, por excelência, o de uma Associação de
Estudantes. Hoje, mais do que nunca, coloca-se a necessidade inadiável de dar
cumprimento ao papel estratégico que deve desempenhar a AEFLUP, na
congregação de esforços e vontades, na mobilização da massa académica, na
promoção do debate, na estruturação de um paradigma alternativo como a única
forma possível de assegurar que a Universidade Pública que conhecemos
sobreviverá à nossa geração.
A Assembleia Geral de Estudantes (AGE), como órgão máximo da Associação de
Estudantes, é a sede institucional da voz dos alunos. Ao longo dos últimos anos,
porém, uma clara conivência dos condutores da Assembleia Geral com as políticas inócuas da Direcção da AEFLUP transformaram o órgão no palco de uma coreografia bem ensaiada: destinadas a aprovar os planos da Direcção da AE, as AGE’s foram esvaziadas da sua indispensável dimensão problematizante,
esclarecedora, divulgadora e interventiva, não sendo, hoje, mais do que o sítio onde os membros da direcção da AEFLUP se dirigem para efectivar a disciplina de voto que garante a aprovação dos desígnios da Presidência – estamos a falar,
genericamente, de festas e iniciativas de motivação empresarial. Não é difícil,
portanto, compreender a razão pela qual tão poucos alunos comparecem às AGE’s.
O nosso projecto, porém, assenta na convicção de que é possível fundar um espaço de debate, esclarecimento, estruturação de respostas enérgicas e interventivas aos sucessivos e continuados ataques que vão sendo desferidos à garantia constitucional de um ensino superior público universal, gratuito e de qualidade. Acreditamos que é possível devolver à Assembleia Geral de Estudantes essa vocação de clareira institucional onde se abre espaço para pensar o presente da Universidade, numa perspectiva integrada capaz de situar os problemas que se colocam hoje à Universidade no panorama social que condiciona e motiva o lugar da Universidade na comunidade.
A lista D apresenta, assim, a sua candidatura à Mesa da Assembleia Geral de
Estudantes propondo a todos os colegas um compromisso de aprofundamento
consciente da participação neste órgão, baseada na efectivação consequente das
competências da AGE na defesa dos interesses dos estudantes da FLUP ,
reconhecendo o lugar incontornável da AEFLUP na reivindicação por uma
Universidade pública qualificada, livre, crítica e socialmente comprometida.
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